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Telessaúde no Brasil: Acesso Ampliado, Mas Potencial Pleno Ainda Longe de Ser Atingido

A revolução digital na saúde e seus limites

A telessaúde, modalidade de atendimento médico remoto, ganhou notável impulso com a pandemia de Covid-19. Regulamentada em 2022, a ferramenta prometeu ampliar o acesso a serviços de saúde, reduzir custos e alcançar populações remotas. No entanto, especialistas avaliam que seu potencial ainda está subutilizado, com desafios que vão desde a euforia inicial até a falta de processos bem definidos e a expectativa de economia sem estratégias complementares.

Desafios e avanços no SUS

No Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI), busca estruturar unidades pelo país e incentiva propostas de cuidados integrais via saúde digital. Grande parte dos projetos atuais no SUS são viabilizados pelo PROADI-SUS, uma parceria público-privada com hospitais de referência e organizações da sociedade civil. Apesar de iniciativas como o Programa SUS Digital, que equipa Unidades Básicas de Saúde (UBS) com tecnologia, a reorganização de processos internos e a capacitação profissional são vistas como cruciais para o sucesso.

Saúde suplementar: entre a economia e o aumento de custos

No setor de planos de saúde, a telessaúde inicialmente se apresentou como uma alternativa para pronto atendimento e saúde mental. Contudo, o aumento da demanda por consultas, impulsionado pela facilidade de acesso, acabou elevando os custos para as operadoras. A expectativa de redução de custos esbarra na regulamentação que equipara o valor de consultas presenciais e remotas, e na necessidade de estratégias mais abrangentes, como a interoperabilidade de dados, para otimizar o cuidado e evitar duplicidades.

Formação profissional e financiamento: pilares para o futuro

Especialistas como Chao Lung Wen, da USP, destacam que a telessaúde não deve ser vista apenas como um meio de reduzir custos, mas como uma ferramenta que pode elevar despesas se mal utilizada, levando a diagnósticos imprecisos e exames desnecessários. A formação de profissionais de saúde com foco em telessaúde e inteligência artificial, conforme previsto nas novas diretrizes curriculares nacionais, é apontada como um passo fundamental. Adicionalmente, a falta de mecanismos de financiamento para o monitoramento contínuo de pacientes com doenças crônicas e a necessidade de incentivos para a adoção da tecnologia por prestadores e pacientes são gargalos a serem superados. A integração de dados entre os sistemas público e privado, através da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), é uma iniciativa promissora para unificar informações e aprimorar o acompanhamento do paciente.

Iniciativas independentes e a busca por equidade

Organizações da sociedade civil, como a SAS Brasil, desempenham um papel importante ao levar atendimento especializado a regiões remotas em parceria com o SUS. O sucesso dessas iniciativas depende da colaboração entre os diversos atores do ecossistema de saúde – SUS, saúde suplementar, universidades e financiadores. A integração desses elos é vista como essencial para superar resistências e promover uma mudança estrutural que utilize a tecnologia como base para maior equidade no acesso à saúde, especialmente em áreas desassistidas.

Fonte: futurodasaude.com.br

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