Baly Tadala: a polêmica bebida que une Carnaval e alusão a medicamento
A chegada do Carnaval de Salvador de 2026 trouxe consigo um lançamento que rapidamente viralizou nas redes sociais: o energético “Baly Tadala”. A bebida, da Baly, maior marca brasileira do segmento, faz uma clara alusão à tadalafila, medicamento utilizado no tratamento da disfunção erétil. A campanha publicitária reforça a conexão com o universo dos remédios para impotência sexual, utilizando trocadilhos como “o Baly que te leva para cima” e slogans que remetem ao Viagra, como “o azulzinho mais saboroso do Brasil”. No entanto, essa estratégia gerou preocupação entre profissionais de saúde e entidades reguladoras.
O que diz a Baly e por que a preocupação médica?
A Baly assegura que o “Baly Tadala” é uma bebida energética convencional, devidamente regularizada pela Anvisa, e que não contém qualquer fármaco em sua composição. A empresa defende que o termo “Tadala” é de uso popular no Brasil para expressar disposição e energia. A composição exata é segredo industrial, mas a marca afirma que utiliza apenas ingredientes comuns ao segmento, como extratos de guaraná e catuaba, dentro dos limites legais, e aromas que conferem um “toque de pimenta”.
Apesar da garantia da empresa, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) emitiu um comunicado alertando sobre os riscos simbólicos e comportamentais da bebida. Para o CFF, associar um medicamento de prescrição a uma bebida recreativa banaliza o uso de fármacos e pode incentivar a automedicação, especialmente em um contexto de folia, calor e consumo de álcool.
Riscos da tadalafila e a combinação perigosa
O CFF destaca que a tadalafila não é inofensiva e pode causar efeitos adversos como queda da pressão arterial, cefaleia intensa, alterações visuais, taquicardia e priapismo (ereção prolongada e dolorosa). Esses riscos são potencializados com o consumo de álcool ou a interação com outros medicamentos, como nitratos.
Médicos alertam que a prática de misturar álcool, energético e tadalafila (ou outros medicamentos para disfunção erétil) tem se tornado comum entre foliões em busca de “melhor performance”. Essa combinação é considerada arriscada. O álcool, assim como a tadalafila, é vasodilatador, e juntos podem causar quedas bruscas de pressão, tontura e desmaios. Além disso, o álcool pode levar a arritmias e, em casos extremos, infarto.
Energéticos e o impacto na saúde cardiovascular
A mistura de álcool e energético já é por si só preocupante, com relatos frequentes de pacientes apresentando taquicardia e sintomas cardiovasculares em prontos-socorros. A adição da tadalafila a essa equação, embora não existam estudos específicos devido ao seu caráter recreativo, é vista como um acréscimo desnecessário de risco. Especialistas ressaltam que, para pessoas saudáveis, o risco pode não “explodir”, mas a combinação já é intrinsecamente perigosa.
A dose dos medicamentos para disfunção erétil e a frequência do consumo de energéticos são fatores cruciais. Enquanto o consumo eventual de energéticos pode ser tolerado por pessoas sem doenças cardíacas, o uso diário e crônico pode elevar a pressão e a frequência cardíaca. A banalização desses medicamentos pode gerar comparações irreais e impactos negativos na vida sexual, aumentando o estresse e a ansiedade, além de dificultar a iniciação de relacionamentos de forma segura e confortável.
Regulamentação e proibição de propaganda
Especialistas defendem a proibição da alusão a medicamentos em propagandas, argumentando que ela vai contra a forma como o Brasil regula o uso de fármacos. A divulgação de medicamentos que exigem prescrição médica, como os para disfunção erétil, é proibida justamente por suas indicações, contraindicações e potenciais riscos à saúde, especialmente quando consumidos sem acompanhamento profissional e em combinações perigosas.
Fonte: saude.abril.com.br




