Manutenção da Selic e Perspectivas de Flexibilização
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira (28 de janeiro de 2026), manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano. A decisão, aguardada pelo mercado financeiro, veio acompanhada de um sinal claro de que o BC pode iniciar um ciclo de flexibilização monetária já na próxima reunião, em março, caso o cenário econômico esperado se confirme. A medida ocorre em um contexto de desaceleração gradual da inflação e da atividade econômica no país.
Cautela com a Inflação e Ambiente Internacional
Em seu comunicado, o Copom destacou que, “em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião”. Contudo, o comitê reforçou que “manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”. Essa ressalva é fundamental, pois o nível da taxa de juros impacta diretamente o custo do crédito, o consumo, os investimentos e, consequentemente, o ritmo de crescimento da economia. O BC avalia que o ambiente externo permanece volátil, influenciado pela conjuntura econômica e pelas políticas dos Estados Unidos, o que afeta as condições financeiras globais e exige cautela adicional de países emergentes, especialmente diante do aumento das tensões geopolíticas.
Cenário Doméstico: Moderação e Resiliência
No âmbito doméstico, o Copom observou que os indicadores econômicos seguem uma trajetória de moderação do crescimento, conforme antecipado. O mercado de trabalho, por sua vez, demonstra resiliência. Apesar da desaceleração observada na inflação cheia e em suas medidas subjacentes nas divulgações mais recentes, ambas ainda se encontram acima da meta estabelecida pelo BC. O comitê identificou que os riscos para a inflação permanecem elevados, citando a possibilidade de desancoragem prolongada das expectativas, a persistência da inflação de serviços e os impactos de políticas econômicas externas e internas, incluindo a variação cambial.
Riscos e Monitoramento Contínuo
Entre os riscos de baixa para a inflação, o Copom apontou uma desaceleração doméstica mais acentuada do que o projetado, um enfraquecimento global mais pronunciado devido a choques no comércio internacional e uma eventual queda nos preços das commodities. O comitê reafirmou que continuará monitorando de perto os efeitos do contexto geopolítico sobre a inflação brasileira, bem como os impactos da política fiscal doméstica sobre a política monetária e os ativos financeiros do país, buscando sempre garantir a estabilidade de preços e o crescimento sustentável da economia.
Fonte: www.poder360.com.br




