Crise Climática e Saúde Respiratória: Um Ciclo Preocupante
As mudanças climáticas não são apenas uma ameaça ambiental, mas um fator agravante direto para a saúde humana, especialmente para aqueles com doenças respiratórias. Variações na qualidade do ar, temperaturas extremas e aumento de alérgenos como o pólen intensificam crises de asma e exacerbam doenças pulmonares obstrutivas crônicas (DPOC). Um estudo da Agência Europeia do Ambiente aponta que mais de um terço das mortes por doenças respiratórias crônicas na Europa estão ligadas a fatores ambientais. Esse cenário cria um ciclo vicioso, onde a saúde deteriorada demanda mais cuidados médicos, que por sua vez, geram emissões de gases de efeito estufa.
A Pegada Climática do Setor de Saúde
O setor de saúde, embora vital, possui uma pegada climática considerável. Estima-se que gere cerca de 5% das emissões globais de gases de efeito estufa, um número que pode saltar para seis gigatoneladas anuais até 2050 se nenhuma ação for tomada. Hospitais e unidades de terapia intensiva (UTIs) são particularmente impactantes devido ao alto consumo de energia, equipamentos e materiais descartáveis. Nesse contexto, o diagnóstico e controle precoce de doenças respiratórias emergem não apenas como uma estratégia clínica, mas também como uma medida climática eficaz. Identificar e tratar doenças mais cedo pode reduzir a necessidade de intervenções médicas mais intensivas e, consequentemente, a emissão de carbono associada.
Inaladores: Um Foco na Descarbonização
Os inaladores, ferramentas indispensáveis para pacientes com asma e DPOC, são um exemplo claro do dilema ambiental na saúde. Os dispositivos mais comuns utilizam propelentes à base de hidrofluorocarbonetos (HFCs), gases fluorados com alto potencial de aquecimento global. Globalmente, estima-se que inaladores pressurizados emitam entre 16 a 17 milhões de toneladas de CO2 equivalente por ano. O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) calcula que esses dispositivos representem 3% de sua pegada de carbono. Diante disso, a indústria farmacêutica e os serviços de saúde estão priorizando a transição para inaladores com propelentes mais ecológicos.
Inovação e Regulação para um Futuro Sustentável
A AstraZeneca já lançou um inalador para DPOC com um novo propelente, o HFO-1234ze(E), que reduz o impacto de aquecimento em cerca de 99,9% em comparação com os gases anteriores. Outras grandes farmacêuticas, como Pfizer e Johnson & Johnson, estabeleceram metas ambiciosas de neutralidade carbônica. A estratégia de um “doente verde” – aquele cuja doença está bem controlada, evitando agudizações e internações – é fundamental para reduzir o consumo de recursos e a emissão de carbono. No entanto, a indústria enfatiza que a tecnologia por si só não é suficiente. É crucial que a regulação seja um facilitador, e não um obstáculo, para que inovações de baixo carbono cheguem rapidamente aos pacientes, criando um ecossistema favorável ao investimento e à inovação contínua no setor da saúde sustentável.
Fonte: pt.euronews.com




