segunda-feira, agosto 17, 2026
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CEO da Mistral: Crise Global do Vinho é ‘Tempestade Perfeita’ e Jovens Não Bebem Por Falta de Dinheiro

Crise no Mundo do Vinho: CEO da Mistral Detalha Desafios Globais e Cenário Brasileiro

Otavio Lilla explica a “tempestade perfeita” que afeta produtores e consumidores, com foco na acessibilidade financeira para as novas gerações.

O mercado global de vinhos enfrenta uma crise sem precedentes, marcada pela queda nas vendas na Europa, acúmulo de estoques e um declínio no consumo de álcool entre os jovens. No Brasil, contudo, o cenário é de estabilidade, beneficiado pelo crescimento dos vinhos nacionais. Otavio Lilla, CEO da Mistral, importadora renomada de vinhos, em entrevista ao NeoFeed, analisou os fatores que compõem essa “tempestade perfeita” e as perspectivas para o setor.

A “Tempestade Perfeita” que Assola o Mercado Global

Segundo Lilla, a retração global é resultado de uma convergência de fatores adversos. “Além da queda de consumo na Europa, existe a inflação de insumos: o vidro ficou mais caro, a rolha ficou mais cara e o produtor sofre uma pressão de custos”, explicou. Ele também destacou a perda de mercados importantes como a China e a Rússia, além do impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos em vendas para o maior mercado de vinhos do mundo. Um ponto crucial é o encarecimento do vinho, que se tornou inacessível para as gerações mais novas.

Vinhos Zero Álcool: Um Impulso de Produtores, Não de Consumidores

A discussão sobre a redução do consumo de álcool levou muitos produtores a investir em vinhos zero álcool. No entanto, Lilla se mostra cético quanto à qualidade desses produtos. “Eu acho que existe um impulso maior dos produtores no zero álcool do que do consumidor. No momento, os mais bem-sucedidos e aceitáveis são os espumantes. Os vinhos de zero álcool são muito ruins, ainda não têm qualidade”, afirmou, ressaltando que o processo de produção é agressivo e caro, resultando em bebidas desequilibradas.

Mudanças Climáticas e Reformas Tributárias: Desafios Adicionais

As mudanças climáticas também exercem forte pressão sobre os produtores de vinho. Lilla mencionou que, enquanto antigamente o desafio era alcançar a maturação da uva, hoje o calor excessivo antecipa a colheita, elevando o teor alcoólico e alterando o perfil dos vinhos. No Brasil, o acordo Mercosul-UE, que gradualmente zerará impostos sobre vinhos europeus, é visto como benéfico, embora a reforma tributária e o risco de um imposto seletivo sobre bebidas alcoólicas gerem preocupação.

Status e Acessibilidade: O Principal Obstáculo para Jovens Consumidores

Apesar de o vinho ainda ser associado a status, Lilla enfatiza que o principal obstáculo para os jovens consumidores é financeiro. “No Brasil, o vinho ainda é um produto para uma classe social muito pequena em função do custo”, disse. Ele observou que o consumidor brasileiro médio tem mais de 30 anos e se acostuma gradualmente a adquirir rótulos mais caros. A expansão do consumo de vinhos brancos, após a popularização dos rosés, é vista como um sinal de amadurecimento do mercado brasileiro.

Fonte: neofeed.com.br

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