Um Novo Horizonte no Tratamento Renal
Para muitos pacientes com doença renal crônica, a necessidade de diálise representa uma mudança drástica na vida. No entanto, a possibilidade de realizar o tratamento em casa, como a diálise peritoneal, tem se mostrado um caminho para a preservação da autonomia e a manutenção de uma rotina ativa. Essa modalidade permite que indivíduos continuem estudando, trabalhando e cuidando de suas famílias, desmistificando a visão limitada que muitas vezes cerca quem faz diálise.
Desafios e a Luta pela Autonomia
A jornada para o tratamento renal pode ser árdua. O diagnóstico de doenças como o lúpus, que pode comprometer os rins, ou a identificação tardia da doença renal crônica, muitas vezes pegam os pacientes de surpresa. A necessidade de adaptações na rotina, como restrições alimentares e cuidados com esforços físicos, somada à dificuldade em aceitar o tratamento, podem gerar momentos de tristeza e baixa autoestima. Apesar disso, a força de vontade e a busca por atividades prazerosas são essenciais, como define uma paciente: “Sou uma guerreira”.
Um Cenário de Crescimento e Desigualdade
O número de brasileiros em tratamento renal substitutivo cresce anualmente, com mais de 170 mil pessoas dependendo de terapia em 2025, um aumento de 9,2% em relação ao ano anterior. O Brasil conta com 898 centros de diálise, mas um desafio significativo é o deslocamento de pacientes. Cerca de 37% dos atendimentos ocorrem fora do município de residência, com distâncias médias superiores a 100 quilômetros para muitos. O diagnóstico tardio também agrava a situação, forçando o início da hemodiálise sem planejamento prévio.
Ampliando as Possibilidades de Tratamento
O predomínio histórico da hemodiálise em centros de tratamento se deve a fatores como a menor oferta de programas de diálise peritoneal, a necessidade de equipes especializadas para acompanhamento domiciliar e a falta de informação sobre as alternativas existentes. O presidente da ABCDT, Ricardo Akel, ressalta a importância de garantir o acesso a diferentes modalidades de tratamento, permitindo uma decisão individualizada. Ampliar o acesso à diálise peritoneal não visa substituir a hemodiálise, mas sim “oferecer mais possibilidades e permitir uma decisão individualizada, com segurança e qualidade”, afirma Akel.
Fonte: viva.com.br

