sexta-feira, agosto 14, 2026
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Sobreviventes do Naufrágio no Lago Kariba: “A Maior Parte Não Conseguiu Sobreviver”

Drama e Luta pela Vida no Lago Kariba

Sobreviventes do trágico naufrágio de um ferry estatal no vasto Lago Kariba, no Zimbabué, relataram momentos de puro terror e desespero. A embarcação, que servia como uma ligação vital para comunidades locais e comerciantes de peixe, virou em águas turbulentas na terça-feira, resultando em um dos piores desastres de transporte de passageiros no país, com um balanço oficial de 46 mortos.

Chance Siyamavhu, um dos sobreviventes, descreveu a cena aterradora. “Graças a Deus, uma onda empurrou a embarcação que se afundava e conseguimos subir para cima dela”, contou, com a voz embargada, durante uma cerimônia de homenagem na localidade de Kariba, próxima à fronteira com a Zâmbia. Empoleirado no casco virado, ele testemunhou a luta desesperada pela sobrevivência de outros passageiros.

Coletes Salva-Vidas Inúteis e Pedidos Ignorados

O caos se instalou quando o ferry começou a afundar. “Quando o barco se virou, a maioria das pessoas correu para tentar apanhar os coletes salva-vidas, mas a maior parte nem sabia como os usar”, explicou Siyamavhu, de 45 anos, à AFP. “A maior parte não conseguiu sobreviver.” A falta de preparo e o pânico agravaram a tragédia, com muitos arrastados pelas águas sem chance de resgate. “Os nossos familiares foram arrastados noutra direção e afundaram-se porque não tínhamos maneira de os ajudar”, lamentou.

Dezenas de enlutados reuniram-se em frente a 44 caixões, em uma cerimônia marcada pela emoção. A polícia confirmou em comunicado que os nomes das vítimas serão divulgados em breve, enquanto as autoridades investigam as causas do acidente. A embarcação, que possuía autorização para transportar 90 pessoas, seguia com 114 adultos, cinco tripulantes e um número indeterminado de crianças a bordo.

Investigação em Curso e Receio de Mais Desaparecidos

As autoridades de proteção civil informaram que 77 pessoas foram resgatadas, mas o temor é de que outros passageiros permaneçam desaparecidos. Relatos de sobreviventes indicam que houve apelos ao capitão para que retornasse à costa assim que a embarcação começou a apresentar falhas e a inundar. Anymore Chambati, que trabalhava como segurança no ferry, tentou distribuir coletes salva-vidas, mas conseguiu entregar apenas uma pequena quantidade.

“Os motores do ferry ficaram inundados devido aos ventos fortes e acabaram por falhar, com exceção de um”, relatou Chambati à AFP, detalhando a progressiva falha da embarcação em meio às condições climáticas adversas. A investigação busca determinar as responsabilidades e as circunstâncias que levaram à superloção e ao trágico desfecho desta viagem.

Fonte: pt.euronews.com

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