Reversão de Cenário: EUA Dominam Ebitda, Brasil Busca Recuperar Espaço
Em uma notável inversão de cenário, a Gerdau, líder na produção de aço, revela um ambicioso plano para reestruturar suas operações no Brasil. Nove anos após Gustavo Werneck assumir a CEO, o Ebitda proveniente dos Estados Unidos saltou de 19,3% para 74,1%, enquanto a participação brasileira caiu para 20,1%. Diante dessa disparidade, a empresa se prepara para criar uma “nova Gerdau” no país, visando um equilíbrio mais robusto entre as operações.
Estratégia “Nova Gerdau”: Otimização e Novos Mercados Emergentes
O plano estratégico, que deve levar uma década para ser implementado, envolve uma profunda otimização do modelo de produção e a reorganização de ativos. A Gerdau mira setores emergentes com grande potencial de crescimento, como data centers e energia renovável, espelhando o sucesso obtido nas operações americanas. “O Brasil do futuro será o que hoje representa os Estados Unidos para a Gerdau”, afirma Werneck, detalhando a ambição de replicar a transformação bem-sucedida em solo americano, que incluiu foco em operações principais, venda de ativos menos rentáveis e investimentos em produtividade, totalizando US$ 1,2 bilhão nos últimos cinco anos.
Desinvestimento em Operações Menos Rentáveis e Expansão na Mineração
Como parte da reestruturação, a Gerdau já tomou a decisão de fechar operações menos rentáveis no Brasil, como a histórica fábrica de Recife (Açonorte). A companhia também planeja otimizar sua capacidade produtiva, substituindo ativos menos eficientes por unidades mais modernas. Paralelamente, a empresa investe forte na expansão de sua mina de Miguel Burnier, em Minas Gerais, com um aporte de R$ 3,2 bilhões. A mina, com capacidade para gerar 5,5 milhões de toneladas de minério de ferro anualmente por cerca de 40 anos, visa garantir o suprimento interno e ainda oferecer 2 milhões de toneladas ao mercado, prometendo margens de lucro superiores às do negócio de aço.
Fim das Exportações e Luta Contra o “Custo-Brasil”
Uma decisão estratégica já definida é a saída definitiva da Gerdau do mercado de exportações a partir de sua operação nacional. O foco será intensificar a eficiência e a competitividade no mercado interno. Essa mudança é justificada pela queda nos preços internacionais, a forte concorrência chinesa e a desvalorização cambial. O CEO Gustavo Werneck também ressalta os desafios impostos pelo “Custo-Brasil”, como a alta tributação e o preço do gás natural, que tornam a competição desleal em comparação com outros países. “Não temos competitividade para exportar. Já foi”, sentencia Werneck, que defende um plano de Estado para equalizar as condições de concorrência e valorizar a indústria nacional, apesar de reconhecer as dificuldades e frustrações, reafirma o compromisso com o Brasil.
Fonte: neofeed.com.br

