quarta-feira, agosto 12, 2026
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Natura Admite Falhas Internas e de Execução após Queda de Receita no Brasil; Ações Reagem Positivamente

Natura Admite Falhas Internas e de Execução após Queda de Receita no Brasil; Ações Reagem Positivamente

CEO João Paulo Ferreira reconhece desafios e “mea culpa” em balanço do 2º trimestre de 2026, enquanto mercados hispânicos mostram recuperação.

A Natura divulgou seu balanço consolidado do segundo trimestre de 2026, confirmando as expectativas de um desempenho impactado negativamente pela operação brasileira. A receita líquida consolidada apresentou uma queda de 9,1%, totalizando R$ 5,17 bilhões, com o mercado nacional recuando 14,8% e atingindo R$ 3,07 bilhões. O CEO da empresa, João Paulo Ferreira, admitiu abertamente problemas de execução e falhas internas, que, somados a fatores externos como a falta de produtos e mudanças tributárias, contribuíram para o resultado.

CEO Reconhece “MEA CULPA” e Desafios de Execução

Em coletiva de imprensa, João Paulo Ferreira declarou: “É bem verdade que o mercado tem mostrado um consumo muito fraco, mas a essência da nossa frustração com o resultado veio de problemas internos e de desafios de execução fundamentalmente autoimpostos”. A empresa enfrentou dificuldades decorrentes da implementação de novas políticas de preços, da transição de contratos de franquia para um novo modelo baseado em vendas sell-out e, principalmente, de um novo sistema de planejamento integrado da SAP. A transição para o sistema, concluída no primeiro trimestre, gerou um estresse na cadeia de abastecimento, resultando em desequilíbrios e escassez de produtos, o que afetou a produtividade das consultoras.

Mercados Hispânicos em Alta e Dívida Reduzida

Apesar dos desafios no Brasil, a operação da Natura nos mercados hispânicos apresentou sinais positivos. A receita nessa região cresceu 0,7% em reais e 7,2% em moeda constante, atingindo R$ 2,1 bilhões. O Ebitda da divisão também registrou um aumento expressivo de 92,7%, alcançando R$ 160 milhões. Financeiramente, a empresa demonstrou resiliência ao gerar caixa e reduzir sua dívida líquida para R$ 3,86 bilhões, contra R$ 3,98 bilhões no ano anterior. A alavancagem, medida pela relação dívida líquida/Ebitda, ficou em 2,06 vezes.

Analistas Cautelosos, mas Ações Sobem

O mercado financeiro reagiu com cautela, mas de forma positiva, ao balanço da Natura. Analistas do Citi, BTG Pactual e Itaú BBA destacaram que os resultados não trouxeram grandes surpresas, apresentando-se em linha com as expectativas, embora com alguns pontos de atenção. A visibilidade sobre a recuperação da receita no Brasil permanece limitada. No entanto, as ações da Natura apresentaram alta de 3,34% no dia da divulgação do balanço, cotadas a R$ 8,35, e acumulam uma valorização de 12% no ano, refletindo, em parte, a entrada da gestora Advent como sócia minoritária com 8% de participação.

Investimentos e Perspectivas para o Futuro

O CEO mencionou que a Natura voltou a investir em diversas iniciativas complexas a partir do fim de 2024, após um período de aportes abaixo do esperado devido à reestruturação da operação. Esses investimentos, segundo ele, aumentaram o perfil de risco de execução no curto prazo, mas são vistos como essenciais para o crescimento futuro. A empresa espera que os efeitos negativos sejam transitórios e reafirma sua confiança na estratégia traçada para o grupo, com a geração de caixa prevista para o segundo semestre sendo uma âncora de avaliação importante em meio às incertezas.

Fonte: neofeed.com.br

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