Protestos tomam conta dos Estados Unidos
Milhares de pessoas foram às ruas dos Estados Unidos neste sábado (10) para manifestar indignação contra o Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE). A revolta popular foi desencadeada pela morte de Renee Nicole Good, uma mulher de 37 anos, após a ação de um agente do ICE durante uma batida contra imigrantes irregulares em Minneapolis. Em meio ao frio de Minneapolis, manifestantes carregaram cartazes e clamaram o nome da vítima, desafiando as baixas temperaturas.
“ICE, fora para sempre”: o grito dos manifestantes
A mobilização nacional teve como lema “ICE, fora para sempre”, um trocadilho em inglês com o sobrenome da vítima. Os protestos são em grande parte impulsionados pelo movimento “No Kings”, uma rede de organizações de esquerda contrária a Donald Trump e suas políticas anti-imigração. Durante o ato em Minneapolis, a multidão ecoou “Renee Good!” em resposta ao chamado “digam o nome dela!”. Mais protestos estavam programados para o domingo, refletindo o crescente descontentamento com o que os participantes descrevem como uma “ditadura autoritária” e o que chamam de “assassinatos” e “roubo de seres humanos” pelo governo.
Manifestações se espalham pelo país
Além de Minneapolis, protestos foram registrados na Filadélfia, onde manifestantes marcharam sob chuva até os escritórios do ICE, e em Nova York e Washington. Em Boston, Bill Torcaso uniu-se a uma concentração, afirmando que a igualdade perante a lei, princípio que ele acredita ser violado constantemente por Trump, é inaceitável. Organizadores estimaram mais de mil eventos em todo o país. A morte de Renee Good, cidadã americana, poetisa e mãe, durante uma operação anti-imigração, gerou fortes reações, inclusive em redutos democratas, e aumentou a preocupação com a política migratória do governo Trump.
Legisladoras impedidas de fiscalizar e questionamentos sobre a investigação
Três legisladoras democratas de Minnesota, incluindo Ilhan Omar, tentaram visitar um prédio federal em Minneapolis onde operam agentes de imigração, mas foram impedidas de entrar. Omar lamentou a ação, classificando-a como uma “tentativa flagrante de impedir que membros do Congresso exerçam sua missão de controle”. O governo defende que o agente envolvido, Jonathan Ross, agiu em legítima defesa, alegando que Renee Good tentou atropelá-lo e a classificou como “terrorista doméstica”. Imagens de celular do agente mostram um diálogo tenso e, após a saída de Renee do veículo, disparos são ouvidos, seguidos por uma fala ofensiva do agente. Contudo, vídeos de testemunhas circulam sugerindo que o agente não estaria em perigo e que Renee tentava evitá-lo. Autoridades e residentes de Minnesota questionam a exclusão das autoridades locais da investigação do FBI. Renee Good é a quarta pessoa morta por agentes de imigração desde o início da política de deportação de Trump, segundo o veículo especializado The Trace.
Fonte: jovempan.com.br




