Avaliação Política da Medida Americana
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que a decisão do ex-presidente Donald Trump de prorrogar por mais um ano o estado de emergência nacional contra o Brasil possui um caráter eminentemente político. A análise é de que a medida não gera efeitos práticos imediatos, como alterações tarifárias ou na política comercial entre os dois países. O entendimento no Planalto e no Itamaraty é que a ação serve como um sinal de Washington, mantendo aberta a porta para futuras medidas caso os interesses americanos não sejam atendidos.
Estratégias Alternativas dos EUA
A esfera comercial do conflito entre Brasil e Estados Unidos tem sido tratada por meio de investigações iniciadas com base na Seção 301. Essa abordagem foi adotada pelo governo Trump após a Justiça americana invalidar o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) como base para a imposição de tarifas. Apesar da estratégia comercial, o governo Lula não descarta outras formas de pressão, como sanções individuais e restrições de vistos contra cidadãos brasileiros.
Histórico de Sanções e Debates Recentes
O debate sobre sanções americanas contra brasileiros ganhou força em julho de 2026, quando aliados de Flávio Bolsonaro, como Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, defenderam em Washington a reintrodução de sanções contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. Moraes chegou a ser incluído em uma lista em julho de 2025, mas foi retirado em dezembro do mesmo ano pelo Departamento do Tesouro dos EUA, em um contexto que o Planalto negou ter relação com a aprovação do PL da Dosimetria na Câmara dos Deputados.
Outros Casos de Sanções e Revogação de Vistos
Em agosto de 2025, o Departamento de Estado dos EUA revogou vistos de Mozart Júlio Tabosa Sales, secretário do Ministério da Saúde, e de Alberto Kleiman, coordenador-geral da OTCA, sob a acusação de “cumplicidade” com o programa Mais Médicos devido ao envolvimento de cubanos. O jornalista Paulo Figueiredo também relatou, no mesmo período, a revogação de vistos do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e do senador Rodrigo Pacheco, o que ambos negaram. Em setembro seguinte, uma nova rodada de sanções, desta vez via Lei Magnitsky, teria atingido Viviane Barci, esposa de Moraes, seus filhos, o ministro do STJ Benedito Gonçalves e o ex-AGU José Levi. Em julho de 2026, o presidente Lula teria entregue a Trump uma lista de brasileiros ainda punidos, solicitando uma solução para os casos, mas as sanções permanecem em vigor.
Fonte: www.poder360.com.br

