sexta-feira, julho 31, 2026
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Mauro Vieira: “Incômodo dos EUA é por Brasil não ter se curvado”, afirma Ministro das Relações Exteriores sobre novo tarifaço

Brasil Rejeita “Pretensões Desmedidas” dos EUA em Nova Tarifaço

O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou nesta quinta-feira (16.jul.2026) que o recente aumento de 25% nas tarifas sobre produtos brasileiros imposto pelos Estados Unidos decorre da recusa do Brasil em “curvar-se às pretensões desmedidas” de Washington. Segundo Vieira, a motivação por trás da medida é eminentemente política e carece de fundamentação técnica.

“Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações”, afirmou o chanceler a jornalistas no Palácio do Itamaraty. Ele classificou a conclusão da investigação comercial conduzida pelo USTR (United States Trade Representative) como “descabida”.

Negociações Intensas e Exigências “Irrazoáveis”

Vieira detalhou que, desde março de 2025, foram realizadas mais de 30 reuniões entre os governos brasileiro e norte-americano, incluindo 11 contatos diretos com autoridades de alto escalão dos EUA, como o Secretário de Estado Marco Rubio e o representante de Comércio Jamieson Greer. O ministro ressaltou que, durante essas discussões, os EUA apresentaram exigências como a abertura irrestrita de setores da economia brasileira sem oferecer contrapartidas, buscando uma “capitulação” por parte do Brasil.

A nova tarifa de 25% foi oficializada em 1º de junho de 2026, após o USTR concluir uma investigação sob a Seção 301, alegando práticas comerciais injustas por parte do Brasil. Entre os pontos levantados pelo órgão americano, destacam-se políticas de fomento ao Pix, comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e o combate ao desmatamento ilegal. O USTR argumenta que o Pix, por exemplo, cria uma “desvantagem injusta” para empresas norte-americanas no setor de pagamentos eletrônicos.

Histórico de Tarifas e Decisão da Suprema Corte

Esta não é a primeira vez que os Estados Unidos impõem tarifas ao Brasil. Em abril de 2025, o governo de Donald Trump estabeleceu tarifas recíprocas iniciais de 10% para 185 países, incluindo o Brasil, com o objetivo declarado de reduzir o déficit comercial americano. Na época, Trump justificou a medida como necessária para proteger os “cidadãos norte-americanos trabalhadores”.

Ao longo de 2025 e início de 2026, houve diversas alterações nas tarifas, com reduções e revogações de taxas sobre produtos agrícolas brasileiros. Contudo, em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos EUA declarou ilegais as tarifas globais impostas por Trump, levando o presidente a assinar um novo decreto para impor uma tarifa global de 10% a todos os países.

Participação Brasileira em Audiências e Ausência Estratégica

Em julho de 2026, o governo brasileiro optou por não enviar representantes para discursar na audiência pública promovida pelo USTR antes da decisão final sobre a proposta de imposição de tarifas de 25%. Integrantes da Embaixada do Brasil em Washington compareceram apenas como observadores. O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência, esteve presente no evento, mas, segundo a reportagem, seu depoimento não alterou a decisão final.

Fonte: www.poder360.com.br

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