O Imperativo da Longevidade nos Lares Brasileiros
O desejo de envelhecer em casa, cercado por memórias e pela comunidade construída ao longo dos anos, impulsiona o conceito de ‘aging in place’ e coloca em xeque a capacidade dos condomínios brasileiros em acolher uma população idosa em constante crescimento. A questão transcende a mera estrutura física, englobando um debate urgente sobre comportamento, moradia e saúde, que será um dos destaques no Congresso Nacional de Cuidadores, Cuidados e Longevidade (CONACARE), parte da Geronto Fair 2026 em Gramado (RS).
Reestruturação Social e Imobiliária Diante do Novo Cenário Demográfico
Marcia Vieira, fundadora do ecossistema MasterCare, ressalta que o tema central do evento, “Longevidade não tem idade — o direito de cuidar, cuidar-se e ser cuidado”, reflete a necessidade de uma profunda reestruturação social e do mercado imobiliário. O envelhecimento populacional acelerado e a diminuição do tamanho das famílias brasileiras transformam a rede de apoio tradicional. “Se antes o cuidado com o idoso ficava centralizado nos filhos, hoje, com a baixa taxa de natalidade, esse suporte precisa ser compartilhado”, explica Vieira, evidenciando o novo papel do debate sobre cuidados.
Acessibilidade Física é Apenas o Começo: Adaptação de Comportamento e Gestão
Embora rampas, pisos antiderrapantes e barras de segurança sejam essenciais, a adaptação mais complexa para os condomínios reside na mudança de comportamento e na gestão. Fábio Rossi, diretor médico da MasterCare, defende que o mercado imobiliário e os condomínios devem atuar como agentes ativos na prevenção à saúde e no cuidado da população idosa. “A transição em edifícios mais antigos, construídos em uma época de demografia completamente diferente, exige criatividade”, afirma Rossi. Ele sugere que, embora a reconstrução sob novas premissas arquitetônicas seja o cenário ideal, a realidade urbana demanda “jogo de cintura” para implementações inteligentes.
O Novo Papel dos Profissionais do Condomínio: Guardiões da Longevidade
Diante das limitações estruturais, o fator humano emerge como crucial. Porteiros, zeladores e gerentes prediais tornam-se os novos “guardiões da longevidade”, pois são os que convivem diariamente com os moradores e podem identificar precocemente sinais de alerta. Contudo, para que essa vigilância informal seja eficaz, o treinamento é fundamental. Rossi destaca parcerias, como a da Mastercare com a Confederação Nacional dos Síndicos Profissionais, que visa capacitar gestores, arquitetos e porteiros, demonstrando a demanda crescente por essa formação especializada.
Fonte: viva.com.br

